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Calendário de vacinas SBP 2026 explicado para mães e pais

Publicado em 8 de junho de 2026 · 8 min de leitura

Todo ano a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publica o calendário oficial de vacinação da infância e adolescência. A edição 2026 não trouxe revolução, mas tem nuances que confundem até pediatra: o que muda em relação ao calendário do SUS, quais vacinas são só na rede privada, quando vacinar contra a gripe pela primeira vez. Esse texto é um mapa prático pra você abrir antes da próxima consulta e sair de lá com menos dúvidas.

Como ler o calendário sem se perder

O calendário da SBP usa idade como eixo, não data. Quando seu filho completa 2 meses, abre uma janela de vacinas pra aquela idade. Algumas têm dose única, outras têm reforço meses depois. A SBP organiza por cores: o que dá no SUS, o que está disponível só em clínica privada, e o que é recomendado mas ainda não disponível em larga escala no Brasil.

Vale entender desde já: o calendário SBP é mais amplo que o do PNI (Programa Nacional de Imunizações, o do SUS). Não é que o SUS esteja errado: é que a SBP recomenda algumas vacinas adicionais (meningocócica B, varicela com 2 doses, gripe a partir dos 6 meses todo ano) que a rede pública ainda não cobre pra toda a população.

Do nascimento aos 6 meses

Ainda na maternidade, antes de ir pra casa: BCG (tuberculose) e a primeira dose da hepatite B. As duas são SUS, gratuitas e raramente causam reação além de uma feridinha no braço da BCG, que demora semanas pra cicatrizar e é normal.

Aos 2, 4 e 6 meses entra o bloco mais pesado: pentavalente (difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, Hib), VIP (poliomielite injetável), pneumocócica 10 ou 13-valente, rotavírus e meningocócica C. A primeira dose da gripe entra quando o bebê faz 6 meses, em qualquer época do ano (e depois anual). Na rede privada a SBP recomenda trocar a pentavalente pela hexavalente, que reduz o número de picadas.

De 9 meses a 2 anos

Aos 9 meses, febre amarela em quase todos os estados brasileiros (a área de recomendação foi expandida em 2018 e hoje cobre praticamente todo o território). Aos 12 meses: tríplice viral (sarampo, caxumba, rubéola), meningocócica C de reforço, pneumocócica de reforço, hepatite A. Aos 15 meses: DTP, VOP, varicela (catapora), tetraviral. E o reforço da febre amarela aos 4 anos.

A meningocócica B (Bexsero) é a maior fonte de dúvida nessa faixa. Recomendada pela SBP desde os 3 meses, mas só na rede privada. Custa caro e não está disponível no SUS. Conversa pra ter com o pediatra considerando o orçamento da família, não decisão automática.

HPV, dengue e o que muda na adolescência

Duas vacinas mudaram nos últimos anos e ainda geram confusão. A do HPV, que entrou no SUS em 2014, agora é dose única (mudança de 2024) e vale pra meninas e meninos a partir dos 9 anos. Antes eram 2 ou 3 doses; um esquema iniciado antes pode ter ficado incompleto, vale checar a caderneta.

A dengue (Qdenga) é a novidade mais comentada. Disponível no SUS desde 2024 pra crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em municípios selecionados, e em clínica privada a partir dos 4 anos. São 2 doses com 3 meses de intervalo. Não substitui o controle do Aedes, mas reduz casos graves de forma significativa nos estudos clínicos.

E se a gente atrasou alguma?

Atraso não significa começar do zero. Existe um esquema de recuperação chamado “catch-up”, organizado pela própria SBP, que ajusta intervalos e quantidades pra colocar a criança em dia sem repetir doses desnecessárias. O pediatra ou a sala de vacina do SUS é quem desenha esse plano. Quanto antes melhor, mas não há motivo pra pânico se a criança ficou alguns meses fora do calendário.

Pra acompanhar tudo isso sem perder data ou dose, vale ter a caderneta sempre à mão. Tradicionalmente é a de papel do SUS; cada vez mais famílias estão usando também uma versão digital pra ter as datas das próximas doses e o histórico sincronizado entre pai, mãe e quem cuida da criança. O Minido funciona dessa forma, com o calendário SBP de vacinas embutido no app.

Onde conferir a versão oficial

Este texto é uma leitura comentada do calendário, não substitui a fonte oficial. O documento completo da SBP está disponível em sbp.com.br (departamento de imunizações), e o calendário do PNI no portal do Ministério da Saúde. Use os dois lado a lado pra ver o que sua família recebe pelo SUS e o que precisa avaliar na clínica privada.