
Entre 5,2 e 13,5 meses. E, antes de qualquer outra coisa, o dado que deveria vir escrito na primeira página de todo guia de bebê: uma parte das crianças saudáveis simplesmente nunca engatinha, e se desenvolve normalmente do mesmo jeito.
Os dois números saem do WHO Motor Development Study, da Organização Mundial da Saúde, publicado em 2006 e ainda hoje a referência vigente, com 816 crianças acompanhadas mensalmente em cinco países.
A janela normal para engatinhar
A faixa de 5,2 a 13,5 meses é do percentil 1 ao 99, ou seja, cabe aí 98 de cada 100 crianças saudáveis. São mais de oito meses de diferença entre a criança mais precoce e a mais tardia dentro da normalidade.
Traduzindo pro dia a dia: o filho da sua irmã engatinhou com 6 meses e o seu ainda não engatinha com 11. Os dois estão dentro da mesma faixa, medida pelo mesmo estudo, e nenhum dos dois é sinal de nada.
4,3% das crianças nunca engatinham de quatro
Esse é o achado mais importante do estudo pra quem está ansioso. Dos seis marcos motores medidos, engatinhar de quatro é o único que uma parcela das crianças pula por completo: 4,3% nunca engatinharam na posição clássica de mãos e joelhos, e foram direto pra outra coisa.
É por isso que engatinhar é o único dos seis que não entra na sequência comum seguida por cerca de 90% das crianças. Ele é opcional na prática, não só no discurso tranquilizador do pediatra.
As outras formas de engatinhar
Muito do que os pais chamam de “não engatinha” é, na verdade, engatinhar de outro jeito. As variações mais comuns:
- arrastar-se de barriga no chão, empurrando com os braços (às vezes chamado de rastejar);
- deslocar-se sentado, arrastando o bumbum com impulso das pernas;
- andar de urso, com as mãos e os pés no chão e o bumbum pra cima;
- rolar de um lado pro outro até chegar onde quer.
Todas cumprem a mesma função: dar mobilidade autônoma. O que interessa clinicamente não é a forma, é a criança querer alcançar algo longe e conseguir se organizar pra chegar lá.
Quando a falta de engatinhar preocupa
Não engatinhar, sozinho, não é sinal de alerta. O que merece avaliação é o contexto em volta:
- a criança não se desloca de forma nenhuma depois dos 12 meses, nem arrastando, nem rolando, nem sentada;
- usa consistentemente só um lado do corpo, arrastando o outro;
- não sentou sem apoio depois dos 9 meses (esse sim é o marco de janela estreita);
- perdeu alguma habilidade que já tinha.
Nesses casos, consulta com pediatra sem esperar a revisão seguinte. A vigilância do desenvolvimento no Brasil é feita pela Caderneta da Criança do Ministério da Saúde, conferida em cada consulta.
A casa muda no dia em que ele se desloca
O bebê que se move alcança o que estava fora de alcance, e isso acontece de um dia pro outro. Vale antecipar: tomada protegida, produto de limpeza fora do chão, escada com portão, quina de móvel avaliada na altura dos olhos dele, e nada de objeto pequeno o bastante pra caber na boca ao alcance.
Vale também rever o piso. Chão liso demais atrapalha a tração das mãos e dos joelhos, e roupa muito escorregadia tem o mesmo efeito. Não é que atrase o marco, mas dificulta a tentativa, e tentativa é o que treina.
Registrar do jeito que serve depois
Como engatinhar tem janela larga e forma variável, é o marco que mais gera dúvida meses depois: foi com 8 ou com 10? Arrastava ou já era de quatro? Anotar na hora resolve, e o vídeo de dez segundos resolve melhor ainda, porque mostra a forma e não só a data. Dá pra usar a caderneta de papel, um caderno, ou acompanhar junto com os outros marcos de 0 a 2 anos. No Minido a data e o vídeo ficam no mesmo lugar, que é o formato que o pediatra consegue usar numa avaliação.
Perguntas frequentes
Com quantos meses o bebê começa a engatinhar?
Entre 5,2 e 13,5 meses, do percentil 1 ao 99 do WHO Motor Development Study, da Organização Mundial da Saúde. São mais de oito meses de diferença entre a criança mais precoce e a mais tardia dentro da normalidade.
É normal o bebê não engatinhar?
É. Segundo o mesmo estudo da OMS, 4,3% das crianças nunca engatinham na posição clássica de mãos e joelhos, e se desenvolvem normalmente do mesmo jeito. Engatinhar é o único dos seis marcos motores que uma parcela das crianças pula por completo.
Quais são as outras formas de engatinhar?
Muito do que os pais chamam de não engatinhar é engatinhar de outro jeito: arrastar-se de barriga no chão, deslocar-se sentado arrastando o bumbum, andar de urso com as mãos e os pés no chão, ou rolar de um lado para o outro até chegar onde quer. Todas cumprem a mesma função, que é dar mobilidade autônoma.
Quando a falta de engatinhar preocupa?
Não engatinhar, sozinho, não é sinal de alerta. O que merece avaliação é o contexto: a criança não se desloca de forma nenhuma depois dos 12 meses, usa consistentemente só um lado do corpo arrastando o outro, não sentou sem apoio depois dos 9 meses, ou perdeu alguma habilidade que já tinha.


