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Os quatro testes da maternidade: o que cada um vê

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Publicado em 10 de setembro de 2026 · 4 min de leitura

Um par de sapatinhos de tricô de lã crua ao lado de mantas dobradas, sobre madeira clara

São quatro testes, não três: pezinho, orelhinha, olhinho e coraçãozinho. Juntos eles formam a triagem neonatal, e a Caderneta da Criança é clara sobre uma coisa que muita gente não sabe: fazer os quatro é direito da criança, e todos devem acontecer nos primeiros dias de vida.

TesteQuando deve ser feito
Olhinho (reflexo vermelho)antes da alta da maternidade
Coraçãozinho (oximetria de pulso)na maternidade, após 24h de vida
Orelhinha (triagem auditiva)na maternidade, entre 24 e 48h; no máximo até o 1º mês
Pezinho (triagem biológica)na maternidade, ou entre o 3º e o 5º dia
Prazos da Caderneta da Criança, 7ª edição, Ministério da Saúde.

A Caderneta ainda põe um prazo por cima de todos: as triagens devem ser realizadas nos primeiros sete dias de vida, por profissional de saúde, na maternidade, na unidade de saúde ou em casa. Se a sua filha teve alta e algum deles não foi feito, não é caso de esperar a próxima consulta: é caso de procurar a unidade.

O que cada um procura

Teste do pezinho. É a triagem biológica, aquela das gotinhas de sangue no papel-filtro. Ela procura doenças congênitas que, segundo a Caderneta, se descobertas bem cedo podem ser tratadas com sucesso. Existe a figura do reteste, e ela tem campo próprio na Caderneta: pedir para repetir é parte prevista do processo, não sinal de que algo deu errado.

Teste da orelhinha. É a triagem auditiva, e pode ser feita por dois exames diferentes: Emissões Otoacústicas Evocadas ou Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico. O resultado é registrado separado para o ouvido direito e o esquerdo, porque um pode estar normal e o outro não.

Teste do olhinho. É o teste do reflexo vermelho, feito com uma luz nos olhos do bebê. Também é registrado olho por olho. A Caderneta manda fazer antes da alta, que é o prazo mais apertado dos quatro.

Teste do coraçãozinho. É a triagem de cardiopatia congênita crítica, feita com um oxímetro de pulso, o mesmo aparelhinho de dedo que mede oxigênio no sangue. Precisa das 24 horas de vida cumpridas para valer.

Onde os resultados ficam registrados

Na própria Caderneta, na página 70, que tem um campo para cada teste com a data e o resultado. E aqui vai o aviso que a Caderneta faz em letra destacada e que vale repetir: confira se o profissional registrou. Teste feito e não anotado é teste que, do ponto de vista de quem for atender sua filha daqui a dois anos, não aconteceu.

É o mesmo cuidado que vale para as vacinas, e pelo mesmo motivo. O que cada página da Caderneta guarda, e o que costuma ficar em branco, está em caderneta da criança digital ou de papel.

Triagem alterada não é diagnóstico

Os campos da Caderneta usam as palavras “normal” e “alterado”, e há um campo de conduta ou encaminhamento ao lado de cada um. Isso existe porque triagem é uma peneira, não um laudo: ela separa quem precisa investigar mais de quem não precisa. Resultado alterado significa continuar investigando com a equipe, e nada além disso.

A Caderneta liga a triagem a outro assunto que costuma vir depois: quando há alteração no desenvolvimento, a identificação e a intervenção precoces são o que mais ajuda, e é por isso que ela insiste nos testes. O que se espera em cada idade está em marcos do desenvolvimento de 0 a 2 anos.

E se a maternidade não fez algum

Acontece, e a Caderneta prevê: os campos incluem a opção “não realizado”, e o texto orienta a perguntar ao profissional de saúde sobre esses testes, porque são direito da criança. A recomendação prática é levar a Caderneta na primeira consulta, que acontece ainda na primeira semana de vida, e conferir os quatro campos um a um com quem atender.

Nessa mesma primeira semana a equipe também confere peso, comprimento, perímetro cefálico, amamentação e as vacinas do nascimento. É a consulta mais importante do calendário e a que mais se perde, e o porquê está em de quanto em quanto tempo levar ao pediatra.

Guardar a data e o resultado de cada um num lugar que não se perde poupa a conversa de daqui a alguns anos, quando a escola ou um especialista pedir o histórico. No Minido esses registros ficam junto com as vacinas, as consultas e os marcos, e só quem tem a chave da família consegue ler.

Perguntas frequentes

Quantos testes o bebê faz na maternidade?

Quatro: pezinho, orelhinha, olhinho e coraçãozinho. Juntos formam a triagem neonatal, e a Caderneta da Criança diz que fazer os quatro é direito da criança.

Quando é feito o teste do pezinho?

Idealmente na maternidade, ou entre o 3º e o 5º dia de vida. A Caderneta prevê também a possibilidade de reteste, com campo próprio para a data.

Até quando dá para fazer o teste da orelhinha?

Preferencialmente na maternidade, entre 24 e 48 horas após o nascimento, e no máximo durante o primeiro mês de vida.

O que é o teste do coraçãozinho?

É a triagem de cardiopatia congênita crítica, feita com oxímetro de pulso na maternidade, depois das primeiras 24 horas de vida.

Resultado alterado na triagem quer dizer que meu filho tem a doença?

Não. Triagem é peneira, não laudo: ela separa quem precisa investigar mais. Por isso a Caderneta tem um campo de conduta ou encaminhamento ao lado de cada resultado, e a conversa é com a equipe de saúde.

E se a maternidade não fez algum dos testes?

A Caderneta prevê a opção "não realizado" e orienta a perguntar ao profissional de saúde, porque são direito da criança. As triagens devem acontecer nos primeiros sete dias de vida, na maternidade, na unidade de saúde ou em casa.

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