
O Apgar é uma nota de 0 a 10 dada duas vezes: no primeiro e no quinto minuto de vida. Ela soma cinco sinais observados no bebê, cada um valendo 0, 1 ou 2. Serve para dizer como ele está se adaptando e se precisa de ajuda para respirar, e não para prever como ele vai ser.
Os cinco sinais que somam a nota
| Sinal observado | Como é pontuado |
|---|---|
| Esforço respiratório | 0 sem respiração · 1 lenta ou irregular · 2 choro vigoroso |
| Frequência cardíaca | 0 sem batimento · 1 abaixo de 100 por minuto · 2 acima de 100 |
| Tônus muscular | 0 flácido · 1 alguma flexão · 2 movimento ativo com flexão |
| Resposta ao estímulo | 0 sem reação · 1 careta · 2 choro, tosse ou espirro |
| Cor | 0 pálido ou azulado · 1 rosado com extremidades azuladas · 2 rosado |
Por que a nota é dada duas vezes
Porque as duas contam coisas diferentes. A do primeiro minuto registra como foi a passagem do útero para o mundo, um momento em que quase todo bebê ainda está se ajustando. A do quinto mostra como ele está depois desse ajuste, e é por isso que ela costuma ser mais alta que a primeira.
Quando a nota do quinto minuto fica abaixo de 7, as diretrizes do Programa de Reanimação Neonatal recomendam continuar registrando de cinco em cinco minutos, até os 20 minutos. Não é castigo nem mau presságio: é acompanhar de perto até estabilizar.
Onde a nota fica registrada no Brasil
Na Caderneta da Criança, na página do nascimento, num campo que pede as duas: Apgar 1º min e 5º min. Ela fica ao lado do tipo de parto, da hora do nascimento, do peso, do comprimento, do perímetro cefálico e da idade gestacional.
A Caderneta usa esse número uma vez, e vale saber onde: ela lista Apgar menor que 7 no 5º minuto entre as situações em que a criança merece cuidado especial no acompanhamento, ao lado de ter nascido com menos de 2.500 g, de ter nascido antes das 37 semanas e de outras. É critério de atenção no seguimento, não rótulo.
Como todo o resto da página do nascimento, o campo só existe se alguém preencher. Vale conferir antes de sair da maternidade, junto com os campos das triagens neonatais, que ficam na página seguinte.
O que a nota não diz
Esta é a parte que mais gera angústia e a que menos se explica na maternidade. A literatura é direta em dois pontos.
O escore não decide a conduta. Ele não deve ser usado para determinar a necessidade inicial de intervenção: quem precisa de ajuda para respirar recebe ajuda na hora, sem esperar somar nota nenhuma. O escore descreve o que aconteceu e a resposta à reanimação, quando ela foi necessária.
E o escore sozinho não é prova de asfixia. Uma nota baixa isolada não estabelece que houve um evento de falta de oxigênio durante o parto, e o escore já foi usado de forma inadequada para prever desfecho neurológico individual, o que a literatura desaconselha expressamente.
Traduzindo para quem está com a caderneta na mão: um número baixo no primeiro minuto, seguido de um número bom no quinto, é a descrição de uma adaptação que levou alguns minutos. Não é diagnóstico, não é prognóstico, e não diz nada sobre inteligência, desenvolvimento ou futuro.
O que acompanhar daqui em diante
O que dá informação sobre o desenvolvimento não é a nota do nascimento, e sim o que acontece nos meses seguintes: os marcos, o ganho de peso, o crescimento e as consultas de rotina. O que se espera em cada idade está em marcos do desenvolvimento de 0 a 2 anos, e o calendário de consultas em de quanto em quanto tempo levar ao pediatra.
Se a nota do quinto minuto foi menor que 7, isso entra no acompanhamento como um ponto de atenção, e é assunto para a equipe que acompanha a criança, com a caderneta na frente.
Guardar esses números onde eles não se percam poupa a conversa de daqui a anos. No Minido os dados do nascimento ficam junto das consultas, das medidas e dos marcos, e só a família consegue ler.
Perguntas frequentes
O que o Apgar mede?
Cinco sinais observados no bebê logo depois do nascimento: esforço respiratório, frequência cardíaca, tônus muscular, resposta ao estímulo e cor. Cada um vale 0, 1 ou 2, e a soma vai de 0 a 10.
Por que a nota é dada no 1º e no 5º minuto?
A do primeiro minuto registra a passagem do útero para o mundo, quando quase todo bebê ainda está se ajustando. A do quinto mostra como ele está depois desse ajuste, e por isso costuma ser mais alta.
O que acontece se o Apgar do 5º minuto for menor que 7?
As diretrizes do Programa de Reanimação Neonatal recomendam continuar registrando de cinco em cinco minutos, até os 20 minutos. No Brasil, a Caderneta da Criança lista Apgar menor que 7 no 5º minuto entre as situações que pedem cuidado especial no acompanhamento.
Apgar baixo quer dizer que houve asfixia?
Não. O escore sozinho não é considerado prova de asfixia nem de um evento de falta de oxigênio no parto, e não deve ser usado para prever desfecho neurológico individual.
O Apgar diz alguma coisa sobre o desenvolvimento do meu filho?
Não. Ele descreve a adaptação nos primeiros minutos e a resposta à reanimação, quando ela foi necessária. O que informa sobre desenvolvimento são os marcos, o crescimento e as consultas dos meses seguintes.


